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Os últimos jogos FIFA antes do Mundial 2026: o que aconteceu em La Bombonera, em Foxborough e em Wembley na última semana de março — e por que isso importa para cada seleção latino-americana

Os últimos jogos FIFA antes do Mundial 2026: o que aconteceu em La Bombonera, em Foxborough e em Wembley na última semana de março — e por que isso importa para cada seleção latino-americana

Entre 25 e 31 de março de 2026 se jogou a última janela FIFA antes do Mundial. Seis dias, mais de quarenta partidas, e uma pergunta que cada selecionador latino-americano precisava responder antes ...

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Entre 25 e 31 de março de 2026 se jogou a última janela FIFA antes do Mundial. Seis dias, mais de quarenta partidas, e uma pergunta que cada selecionador latino-americano precisava responder antes de ir dormir na última segunda-feira de março: quanto nos falta?

Para a Argentina, a resposta veio contra a Zâmbia e não contra o Brasil. Para o Brasil, veio em Foxborough e doeu. Para o México, foi em Guadalajara e sem muito público. Para a Colômbia, foi uma derrota diante da França que ninguém quer lembrar. Para o Uruguai, foi um empate estranho em Wembley.

Isto é o que o calendário FIFA de março de 2026 mostrou visto da América Latina.


Argentina 5-0 Zâmbia — La Bombonera, 31 de março

La Bombonera estava lotada. 49 mil almas, a maioria com a 10 nas costas. Era o último jogo oficial de Lionel Messi em solo argentino antes do Mundial — ou, dependendo de quem se pergunte, o último de todos.

O que Messi fez nos 74 minutos que jogou: marcou um gol (38’), deu uma assistência a Lautaro Martínez (51’), e ainda soltou três ou quatro chutes que passaram perto. Estava em ritmo. Estava, segundo as testemunhas da zona mista, visivelmente emocionado.

O que não fez: falar com a imprensa. Nem antes. Nem durante. Nem depois. Messi não deu uma entrevista pública à imprensa argentina durante toda a janela de março.

Lionel Scaloni, o técnico, pegou esse silêncio e o transformou em uma coletiva de imprensa que virou manchete no continente inteiro:

“Será um privilégio se ele decidir que este é o último, porque a gente nunca sabe. Todo mundo quer vê-lo e aproveitá-lo. Vou fazer tudo o que for possível para que o time possa sustentá-lo. Quando chegar a hora, se ele decidir vir, a gente senta e conversa.”

Isso não é confirmação. Isso é um treinador de Seleção pedindo publicamente ao seu capitão que jogue.

O jornalista Fernando Czycz, do Doble Amarilla, publicou 48 horas depois que Messi sim estará na lista de 26 — mas que decidiu não fazer um anúncio oficial até estar “100% seguro do seu estado físico”. Messi faz 39 anos no dia 24 de junho, dois dias depois do segundo jogo da Argentina contra a Áustria.

A estreia da Albiceleste no Mundial: 16 de junho contra a Argélia, em Kansas City.

Sobre a lista — Scaloni apresentou 26 nomes para os amistosos, com uma surpresa: Franco Mastantuono, o juvenil do Real Madrid de 18 anos, ficou fora da lista inicial. Se falou durante 48 horas. Álvaro Arbeloa — novo DT do Real Madrid depois de Xabi Alonso — havia deixado o garoto quase sem minutos na primeira metade da temporada. Depois Mastantuono foi incluído, num gesto que foi lido como “não queremos descartar ninguém ainda”. É o tipo de convocação que Scaloni faz quando a cabeça dos 26 finais já está decidida e sobram só quatro ou cinco lugares para brigar.

O outro dado da Argentina nessa janela: na tabela FIFA de 27 de março, a Argentina caiu do segundo para o terceiro lugar, ultrapassada pela França por 0,63 ponto. Tanto faz para o sorteio do Mundial — já foi feito em dezembro. Mas importa simbolicamente: é a primeira vez em mais de dois anos que a Albiceleste não está no top 2 da FIFA.


Brasil 1-2 França — Foxborough, 26 de março

Estádio Gillette, Foxborough, Massachusetts. 66.215 espectadores, a segunda maior entrada da história do estádio para um jogo de futebol. A maioria da gente vestia amarelo. O Brasil era o favorito do público.

Kylian Mbappé, que tinha ficado um mês fora por um estiramento no joelho esquerdo no Real Madrid, abriu o placar aos 32 minutos com uma definição fria por cima de Ederson, depois de um passe filtrado de Ousmane Dembélé. Hugo Ekitike fez o 2-0 aos 65, após assistência de Michael Olise. Dayot Upamecano foi expulso aos 55 por falta como último defensor — cartão inicialmente amarelo, corrigido para vermelho pelo VAR. Com dez jogadores, a França terminou o jogo com mais controle do que o Brasil.

O Brasil chutou no gol apenas uma vez nos primeiros 78 minutos. Uma. Quando Bremer colocou o 2-1 aos 78, foi praticamente o primeiro chute perigoso da equipe dirigida por Carlo Ancelotti.

Ancelotti jogou com um 4-2-4 defensivo — Ederson; Wesley, Bremer, Léo Pereira, Douglas Santos; Casemiro, Andrey Santos; Raphinha, Matheus Cunha, Vinícius Júnior, Gabriel Martinelli. A França controlou 70% da posse. Vinícius quase não tocou na bola em campo de ataque. Raphinha fez um cruzamento que a defesa francesa afastou sem problemas.

Depois do jogo, o zagueiro brasileiro Léo Pereira disse uma frase curta que se repetiu em todos os jornais do dia seguinte: “Pra gente não tem amistoso.”

Não soou como uma fala padrão. Soou como uma defesa.

Cinco dias depois, o Brasil empatou em 1-1 com a Croácia em Orlando. Foi o primeiro jogo entre os dois desde as quartas de final do Mundial do Catar, onde a Croácia eliminou a Seleção nos pênaltis. Desta vez, o Brasil não perdeu. Mas também não convenceu.

A grande ausência brasileira do mês: Neymar. Ancelotti não o convocou. A justificativa pública: “Ele tem que estar em forma, e ainda não está.” Mbappé, consultado sobre o tema em coletiva da França, disse: “Não vejo um Mundial sem Neymar.” Ancelotti não respondeu.

Segundo fontes do futebol brasileiro, as chances de Neymar estar na lista de 26 para junho caíram para 30-40%, contra os 60% do início de março. Se Ancelotti mantiver a linha, será o primeiro Mundial sem Neymar para o Brasil desde 2010.

O Brasil joga sua estreia do Mundial no dia 14 de junho contra o Equador, em Filadélfia. Está no Grupo C junto com Equador, Costa do Marfim e Marrocos — um grupo que a Opta classifica como o segundo mais difícil do torneio.


México 1-0 Panamá — Guadalajara, 28 de março

O Tri jogou um amistoso no Estádio Akron de Guadalajara diante de 38 mil pessoas. Venceu por 1-0 com gol de Santiago Giménez aos 67 minutos, de cabeça na saída de um escanteio.

Foi um jogo fraco. O México tem a particularidade de ser o único anfitrião do Mundial que não jogou eliminatórias — automaticamente classificado por ser sede. Isso significa que as 20 provas competitivas que o resto dos sul-americanos viveu entre 2023 e 2025, o Tri não teve.

Javier Aguirre, treinador mexicano, tem passado meses repetindo-o sem dizê-lo: “Precisamos de mais minutos de pressão real.” O 1-0 contra Panamá — um rival que nem sequer está no Mundial — não serve como teste.

O México abre o Mundial no dia 11 de junho no Estádio Azteca contra o vencedor de uma das repescagens intercontinentais. Vai ser o terceiro Mundial na história que abre no Azteca (1970, 1986, 2026) — um recorde que nenhum outro campo do mundo chega perto.

O segundo jogo é contra o Uruguai no dia 17 de junho no mesmo campo. O terceiro, contra a seleção sul-africana, no dia 22 de junho em Guadalajara.

Os números sobre Aguirre: está em seu 44º jogo oficial à frente do México nesse terceiro ciclo (teve o cargo também entre 2002-2006 e 2009-2010). As suas estatísticas mostram 51% de vitórias, mas só 3 ganhos diante de seleções do Top 10 FIFA. Essa carência é a razão pela qual o 1-0 contra o Panamá não tranquilizou ninguém.


Colômbia 0-2 França — Landover, 29 de março

Três dias depois do que aconteceu em Foxborough, a França jogou contra a Colômbia no Northwest Stadium, em Washington D.C. Venceu por 2-0. Mbappé não jogou — descansou por gestão de carga. Olise e Ousmane Dembélé foram os nomes da noite.

A Colômbia chegou ao jogo sem Luis Díaz (lesão muscular no Bayern de Munique) e com James Rodríguez no banco. Richard Ríos, o meio-campista do Benfica, também não começou como titular. Néstor Lorenzo, o DT, estava testando esquemas: 4-3-3, 4-4-2 no segundo tempo. Nenhum funcionou.

Os Cafeteros caíram sem chutar no gol uma vez sequer nos primeiros 60 minutos. O público em Landover — majoritariamente francês e estadunidense, poucos colombianos — foi embora cedo.

A Colômbia está no Grupo K junto com Portugal, Uzbequistão e RD Congo. O primeiro jogo é contra o Uzbequistão no dia 17 de junho em Atlanta. É um grupo que, no papel, a Colômbia deveria ganhar ou, pelo menos, empatar em segundo lugar atrás de Portugal.

O que março mostrou: sem Díaz, a Colômbia não tem capacidade de gerar perigo pelas pontas. James aos 34 anos não é o mesmo James do Mundial 2014. Jhon Córdoba, que veio de marcar gols importantes nas Eliminatórias Sul-Americanas, não teve minutos claros em março. Lorenzo ainda está buscando seu onze.


Uruguai 1-1 Inglaterra — Wembley, 27 de março

Marcelo Bielsa levou o Uruguai a Londres. É raro ver o Loco em Wembley. É mais raro ver o Uruguai lá.

O jogo terminou em 1-1. Darwin Núñez marcou para o Uruguai aos 38 minutos — um gol típico de Darwin, empurrar uma bola solta dentro da área depois de três rebotes. Elliot Anderson empatou para a Inglaterra aos 71, com um chute de fora da área que desviou num zagueiro uruguaio.

Foi o primeiro tempo sob o comando de Bielsa em que o Uruguai mostrou o que o DT está construindo — pressão alta desde o início, 3-4-3 com os pontas descendo pela linha de fundo. No segundo tempo, a Inglaterra se acomodou e o Uruguai se recolheu.

O detalhe mais interessante do jogo, no entanto, não foi futebolístico.

Três dias depois, no dia 31 de março, a Inglaterra perdeu 0-1 para o Japão no mesmo Wembley — Kaoru Mitoma marcou o único gol aos 23 minutos, após roubar a bola de Cole Palmer no campo inglês. Foi a segunda derrota de Tuchel desde que assumiu a Inglaterra. Wembley, lotado com 79.233 espectadores, despediu a equipe entre vaias.

Para o Uruguai, o 1-1 contra uma Inglaterra que quatro dias depois perderia para o Japão tem outro valor. Bielsa tem ferramentas. O que não tem é tempo.

O Uruguai está no Grupo H junto com Espanha, Arábia Saudita e Cabo Verde. Primeiro jogo: contra Cabo Verde no dia 15 de junho. Luis Suárez, o uruguaio de 39 anos (não o colombiano), espera-se que esteja mais no banco do que em campo — sua última convocação teve mais trabalho de academia do que de treino com bola.


Chile e Peru — os que não vão

O Chile terminou em décimo nas Eliminatórias Sul-Americanas. Não vai ao Mundial. Jogou um amistoso em Auckland contra Cabo Verde no dia 27 de março e perdeu por 2-0. O ciclo pós-Gareca começou antes mesmo de Nicolás Córdova ser oficializado como DT.

O Peru terminou em sétimo nas Eliminatórias, mas a repescagem era do oitavo (Bolívia). Não vai ao Mundial. O argentino Oscar Ibáñez deixou o cargo depois da data FIFA de março. Ainda não há sucessor confirmado.

As duas seleções vão passar junho vendo televisão. O próximo ciclo classificatório para 2030 começa em setembro de 2027. Dois anos de reconstrução.


Venezuela — o oitavo de sempre

A Vinotinto terminou em oitavo nas Eliminatórias Sul-Americanas, com 18 pontos, fora da zona de repescagem. Mais uma vez. É a nona Eliminatória consecutiva em que a Venezuela não consegue uma classificação para o Mundial.

Em março, a Venezuela jogou dois amistosos na FIFA Series contra Trinidad e Tobago e Uzbequistão. Os jogos foram dirigidos por Oswaldo Vizcarrondo, o novo DT, ex-defensor da seleção que substituiu Fernando Batista depois do 6-3 contra a Colômbia em Maturín em setembro passado.

A Venezuela ganhou um e perdeu o outro. Ninguém assistiu aos jogos no continente.

Maturín, como sempre, continua esperando.


O que vem nas próximas 47 noites

Cada seleção latino-americana tem uma contagem regressiva muito concreta:

Argentina: 50 dias até a Argélia (16 de junho). Scaloni apresenta a lista de 26 por volta do dia 3 de junho.

Brasil: 48 dias até o Equador (14 de junho). Ancelotti tem que decidir se Neymar entra. Se entra, tem um problema tático. Se não entra, tem um problema político.

México: 45 dias até a abertura (11 de junho). Aguirre precisa de um rival Top 10 antes do Mundial — e provavelmente não vai conseguir. As últimas oportunidades seriam amistosos no início de junho.

Colômbia: 51 dias até o Uzbequistão (17 de junho). O primeiro teste real será contra Portugal no segundo jogo. Se a Colômbia terminar em segundo do grupo K, pode enfrentar a França nas oitavas.

Uruguai: 49 dias até Cabo Verde (15 de junho). Bielsa tem que decidir se Suárez está na lista ou não. Tudo indica que sim, mas sem minutos garantidos.

A última janela internacional já terminou.

O próximo jogo oficial para qualquer um deles vai ser o do Mundial. E cada treinador desta região já sabe que a margem de erro é zero.


Fontes: ESPN (“Brazil 1-2 France (Mar 26, 2026) Game Analysis”); TyC Sports (“Argentina 5-0 Zambia — Messi emocionado”); beIN Sports (“Will Messi play at La Bombonera?”); Doble Amarilla (relato de Fernando Czycz sobre Messi); ESPN (“England 0-1 Japan (Mar 31, 2026)”); ESPN Deportes (cobertura Brasil x França, Colômbia x França, Uruguai x Inglaterra); Outlook India (“FIFA World Cup 2026 Group J Preview”); Wikipedia (“2026 FIFA Series”); ranking FIFA de 27 de março de 2026; Opta Analyst (“World Cup 2026 Predictions”, atualização de abril); declarações pós-jogo de Scaloni, Ancelotti, Tuchel, Léo Pereira e Bielsa de 31 de março de 2026.

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