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Irã na Copa: joga nos EUA, mora no México

Irã na Copa: joga nos EUA, mora no México

O Irã joga os 3 jogos de grupo nos EUA mas fica em Tijuana. Azmoun cortado; torcedores barrados pela proibição de viagem.

· Leitura de 12 min
TL;DR: **Em 26 de maio de 2026, a 16 dias do pontapé inicial**, o Irã vai à Copa, e seus três jogos de grupo estão marcados em solo americano. A única coisa que ele não vai fazer é ficar morando lá. A federação iraniana mudou sua base de treinos do Arizona para Tijuana, do outro lado da fronteira, alegando demoras nos vistos e questões de segurança. A expectativa é que os jogadores passem pela exceção concedida a atletas; seus torcedores, na maioria, não. Enquanto isso, o técnico Amir Ghalenoei enxugou a lista preliminar, e um dos nomes mais reconhecíveis do futebol iraniano atual ficou de fora. O essencial: (1) o Irã enfrenta Nova Zelândia e Bélgica em Los Angeles, e depois o Egito em Seattle; (2) a base será em Tijuana, não nos Estados Unidos; (3) Irã e Haiti seguem sob proibição total; (4) Sardar Azmoun ficou fora da lista preliminar; (5) os 26 definitivos têm de ser entregues antes de 1º de junho.

A versão curta

Em 26 de maio de 2026, a 16 dias do pontapé inicial, o Irã vai à Copa, e seus três jogos de grupo estão marcados em solo americano. A única coisa que ele não vai fazer é ficar morando lá. A federação iraniana mudou sua base de treinos do Arizona para Tijuana, do outro lado da fronteira, alegando demoras nos vistos e questões de segurança. A expectativa é que os jogadores passem pela exceção concedida a atletas; seus torcedores, na maioria, não. Enquanto isso, o técnico Amir Ghalenoei enxugou a lista preliminar, e um dos nomes mais reconhecíveis do futebol iraniano atual ficou de fora. O essencial: (1) o Irã enfrenta Nova Zelândia e Bélgica em Los Angeles, e depois o Egito em Seattle; (2) a base será em Tijuana, não nos Estados Unidos; (3) Irã e Haiti seguem sob proibição total; (4) Sardar Azmoun ficou fora da lista preliminar; (5) os 26 definitivos têm de ser entregues antes de 1º de junho.


O Irã vai mesmo disputar a Copa de 2026?

Vai, e o homem no topo da FIFA fez questão de deixar isso registrado antes que alguém perguntasse.

O Irã garantiu cedo a classificação, a quarta seguida e a sétima no total, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, foi direto: a seleção vai competir e vai jogar nos Estados Unidos (FIFA). Num torneio vendido como o mais acolhedor da história, a frase chama atenção justamente porque não deveria ter sido necessária.

Ela se tornou necessária por causa do contexto. A participação do Irã cai dentro de um momento de forte tensão com os Estados Unidos, e a federação aponta essa tensão, e não um cálculo esportivo, como o que hoje molda sua logística. Nenhum regulamento da FIFA proíbe o Irã de jogar. As complicações acontecem fora de campo.

Vale lembrar mais uma coisa: nas quatro Copas anteriores, o Irã nunca passou da fase de grupos. A história desta primavera teve muito pouco a ver com a chance de avançar.

Por que a seleção vai ter base no México, e não nos Estados Unidos?

Porque a federação concluiu que o jeito mais simples de driblar um problema de visto era não precisar de um visto americano para dormir.

O presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, anunciou no fim de semana a mudança da base de treinos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, a cidade fronteiriça da Baixa Califórnia, e fez isso num vídeo publicado no Telegram da federação, não por um canal americano ou da FIFA (um detalhe que já mostra para que lado corre a confiança). Taj citou as complicações com os vistos e questões de segurança, e apresentou a base mexicana como uma forma de entrar no país para os jogos sem apostar o mês inteiro na papelada americana (Yahoo Sports).

Tijuana fica a uma viagem curta de carro de Los Angeles, onde serão disputados dois dos três jogos do Irã. Na prática, o plano é ir e voltar para jogar a Copa. Jogar nos Estados Unidos, e ter a casa no México.

Nem sempre foi esse o plano. Em meados de maio, a federação ainda contava com a concentração em Tucson e seguia esperando vistos americanos que dizia não ter recebido, com uma reunião decisiva com a FIFA ainda pendente (Al Jazeera). A mudança é o formato que essa incerteza assumiu quando deixou de ser teórica.

Onde o Irã joga e os jogadores conseguem entrar?

A tabela está fechada; a entrada é a pergunta em aberto.

No Grupo G, o Irã estreia contra a Nova Zelândia em 15 de junho no SoFi Stadium, perto de Los Angeles, enfrenta a Bélgica no mesmo estádio em 21 de junho e fecha a fase de grupos diante do Egito em 26 de junho, em Seattle (Yahoo Sports). Os três são em solo americano. Não há um jogo no México ou no Canadá atrás do qual se esconder na fase de grupos.

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Para os próprios jogadores, o caminho de entrada é uma porta estreita. Quando o governo Trump editou as restrições, elas trouxeram uma exceção por escrito para atletas, comissão técnica e pessoal essencial, além de familiares diretos, que viajem por eventos como a Copa, sujeita ao aval do Departamento de Estado (ESPN). É essa exceção que faz a seleção esperar entrar em campo. Mas é uma exceção, não uma garantia, e a equipe passou boa parte de maio sem os vistos em mãos, que é exatamente por que a base desceu para o sul.

Há também um precedente recente do quanto a margem é fina. Uma delegação iraniana, com Taj incluído, levou a recusa das autoridades canadenses antes de uma reunião da FIFA: um presidente de federação com dois assentos em comitês da FIFA pode, mesmo assim, ser barrado na fronteira de um país-sede.

O que a proibição de viagem significa para os torcedores iranianos?

É aqui que a fresta entre seleção e torcida vira um abismo.

Os Estados Unidos colocaram dezenas de países sob restrições de visto, e o Irã é uma das duas nações classificadas (ao lado do Haiti) submetidas a uma proibição de viagem total (Newsweek). A exceção para atletas cobre o elenco; não cobre o torcedor comum. A não ser que um torcedor iraniano já tivesse um visto americano válido antes de a proibição entrar em vigor, ou se encaixe em uma das poucas exceções restritas, ir ao estádio ficou praticamente fora de questão (American Immigration Council).

Outra medida levanta um muro financeiro para os demais: uma fiança de visto de até US$ 15.000 para viajantes de uma lista de 50 países, vários deles classificados. Segundo o que foi noticiado, a FIFA vem pressionando por isenções para jogadores e equipe, mas, de novo, essa pressão mira a gente do vestiário, não a que encheria a arquibancada atrás.

Assim, numa vitrine do futebol, surge um quadro estranho: espera-se que os jogadores iranianos entrem no SoFi Stadium, e a maioria dos iranianos que os apoiaria não pode.

Por que Sardar Azmoun ficou de fora, e quem entra?

Porque a lista estava encolhendo, e nem uma instituição nacional escapou da aritmética.

Sardar Azmoun, segundo maior artilheiro da história do Irã, ficou fora da lista preliminar de Ghalenoei, e respondeu não com uma queixa, mas com uma despedida. Numa mensagem dirigida ao país, desejou sorte a uma seleção cujo caminho ele vai acompanhar de fora (SI). Para um jogador do seu porte, a exclusão cai como o baque mais silencioso da primavera.

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O ataque que ele deixa para trás ainda pesa. A referência segue sendo Mehdi Taremi, que marcou duas vezes no empate com o Uzbequistão que selou a classificação, e as escolhas finais de Ghalenoei se montam em torno dele, não do nome que cortou. É isso que torna tudo uma história de seleção e não apenas uma despedida: um técnico que decide que o time com o qual pode vencer não é necessariamente o dos nomes mais célebres.

E agora? Algo ainda pode mudar?

Desta vez, o calendário é o que há de mais claro em toda a história.

O Irã faz um amistoso contra a Gâmbia em 29 de maio, o último ensaio de peso antes de fechar a lista. Ghalenoei precisa então entregar seus 26 definitivos antes do prazo de 1º de junho da FIFA, que vai confirmar oficialmente as 48 listas em 2 de junho: a linha que separa “a seleção anunciou” de “a FIFA reconheceu”. Até essa data, toda lista, a do Irã inclusive, é provisória por definição.

As perguntas maiores seguem abertas depois de 2 de junho. Vistos podem sair tarde; uma base montada sobre uma fronteira pode ser testada por essa mesma fronteira; e a política que empurrou a seleção até Tijuana não vai estar resolvida no apito inicial. A posição da FIFA é que o regulamento permite o Irã jogar, ponto. Se o mês vai correr tranquilo é outra frase, e não uma que a FIFA possa escrever sozinha.

FAQ

O Irã está confirmado na Copa de 2026? Sim. O Irã se classificou para a quarta Copa seguida, e a FIFA confirmou publicamente que a seleção vai competir e jogar suas partidas nos Estados Unidos.

Onde o Irã joga a fase de grupos? No Grupo G, enfrenta a Nova Zelândia em 15 de junho e a Bélgica em 21 de junho, ambos no SoFi Stadium perto de Los Angeles, e o Egito em 26 de junho, em Seattle. Os três jogos são nos Estados Unidos.

Por que o Irã tem base no México, e não nos Estados Unidos? A federação transferiu a base de treinos para Tijuana, no México, por complicações com vistos e questões de segurança. A localização na fronteira permite viajar para os jogos nos Estados Unidos sem depender de ficar dentro do país.

Os jogadores iranianos conseguem entrar nos Estados Unidos apesar da proibição? As restrições americanas trazem uma exceção para atletas, comissão técnica e pessoal essencial que viajem por eventos como a Copa, sujeita ao aval do Departamento de Estado. Os jogadores esperam entrar por essa via, embora os vistos seguissem pendentes em boa parte de maio.

Os torcedores iranianos podem assistir aos jogos nos Estados Unidos? Na maioria, não. O Irã está sob proibição total, e os torcedores comuns não podem comparecer a menos que já tivessem um visto válido antes da proibição ou se encaixem em uma exceção restrita.

Por que Sardar Azmoun ficou de fora? Azmoun, segundo maior artilheiro da história do Irã, foi excluído da lista preliminar de Ghalenoei. Publicou uma mensagem desejando sorte à seleção, mas a federação não deu uma explicação esportiva detalhada.

Quem é o atacante principal do Irã para o torneio? Mehdi Taremi é a referência do ataque. Marcou dois gols no empate com o Uzbequistão que confirmou a classificação.

Quando o Irã anuncia os 26 definitivos? O Irã joga um amistoso contra a Gâmbia em 29 de maio e precisa entregar a lista final antes do prazo de 1º de junho da FIFA, que confirma as 48 listas em 2 de junho.

O Irã já teve problemas de entrada antes do torneio? Sim. Uma delegação com o presidente Mehdi Taj teve a entrada negada pelo Canadá antes de uma reunião da FIFA, e o Irã chegou a boicotar o sorteio de dezembro após recusas de vistos americanos a seus dirigentes.

O Irã ainda pode ser impedido de competir? A posição da FIFA é que nenhum regulamento proíbe o Irã de jogar. Os riscos reais são logísticos (vistos, viagens e segurança), não uma proibição de participar.


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  • “Guia de dia de jogo na Cidade do México: como chegar à abertura” (tickets-travel)
  • “Seattle para a Copa: Lumen Field e arredores” (city-guides)
  • “O que significa de fato a confirmação das listas pela FIFA em 2 de junho” (governance)
  • Site oficial do torneio da FIFA — fifa.com
  • Al Jazeera, “Irã ainda espera vistos dos EUA a menos de um mês da Copa”, 14 de maio de 2026 — aljazeera.com
  • Yahoo Sports, “Irã vai jogar nos EUA, mas a seleção tem de ficar no México” — sports.yahoo.com
  • ESPN, “Sorteio da Copa 2026: boicote do Irã por causa dos vistos” — africa.espn.com
  • Sports Illustrated, seção Copa do Mundo — si.com


Sobre o autor: James O’Connor é correspondente de investigação de futebol da Touchline Global, o veículo independente sediado em Londres, fundado em 2012 e especializado em governança da FIFA, jornalismo comercial e economia política do futebol. O’Connor cobre todas as Copas do Mundo da FIFA desde o Brasil 2014. Contato: james.oconnor@touchline.global · LinkedIn: /in/james-oconnor-touchline · X: @JamesOConnorTG

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