La Redonda · Eventos · 11 de junho de 2026 · por Diego Martínez
Palavras-chave: Mundial 2026, México vs África do Sul, Estádio Azteca, cerimônia de abertura do Mundial 2026, Shakira no Mundial 2026, gol de Quiñones, Raúl Jiménez no Mundial, três cartões vermelhos no Azteca
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México inicia o Mundial com vitória, finalmente
No dia 11 de junho, o Mundial de 48 equipes começou no Estádio Azteca com uma vitória de 2 a 0 do México sobre a África do Sul. Julián Quiñones marcou o primeiro gol do torneio aos nove minutos e Raúl Jiménez fechou a vitória no segundo tempo, em uma noite com três expulsões — recorde para um jogo de abertura —. Antes, Shakira e Burna Boy abriram a festa. O Azteca tornou-se o primeiro estádio a sediar três Mundiais.

Primeiro a festa: Shakira, fogos e uma cidade que não dormia
Há noites em que o futebol não inventa: herda. E o Azteca, aquela estrutura de concreto que testemunhou Pelé levantar uma Copa e Maradona roubar outra, sabia exatamente qual noite lhe tocava. Noventa minutos antes do apito, o gramado se encheu de cor e de história.
Shakira voltou ao palco mundial — dezesseis anos depois de “Waka Waka” — e o fez ao lado do nigeriano Burna Boy com Dai Dai, a música oficial do torneio, em uma mistura de América Latina e África que deixou as arquibancadas em polvorosa. O tenor italiano Andrea Bocelli trouxe a seriedade; J Balvin, a sul-africana Tyla e o venezuelano Danny Ocean, o ritmo pop. Lila Downs saudou em espanhol e em inglês — “¡Pueblos del mundo, bienvenidos a México!” — enquanto bailarinos em trajes inspirados nos aztecos tomaram a quadra. Maná, Belinda com Los Ángeles Azules, Alejandro Fernández: a cerimônia foi, durante uma hora e meia, uma visão do que México queria contar ao planeta sobre si mesmo, segundo relatou a Al Jazeera.
E depois, quando os fogos se apagaram, começou o que de verdade importava.
Nove Minutos para Escrever a Primeira Linha
México havia disputado oito mundiais jogando partidas de abertura e nunca havia vencido nenhuma. Cinco derrotas, dois empates e aquela ferida de 2010 em Johannesburgo, quando este mesmo adversário —África do Sul— o empatou 1-1 no estreia. O futebol, não é? Escolhe os reencontros. Desta vez a espera durou nove minutos: Julián Quiñones, nascido na Colômbia e estreante mundialista, marcou o primeiro gol do torneio e gritou com Israel Reyes e Johan Vásquez sobre ele.
O resto foi uma tarde áspera. O árbitro mostrou três cartões vermelhos —duas para a África do Sul, uma para o México—, a maior quantidade já vista em uma partida de abertura, e os Bafana Bafana de Hugo Broos terminaram com nove jogadores. Sobre esse caos, já no segundo tempo, apareceu Raúl Jiménez: um cabeceio de perto, seu primeiro gol mundialista na quarta Copa que disputa, o número 46 com a seleção. Ficou empatado com Jared Borgetti e a seis do “Chicharito” Hernández. Não celebrou como quem marca; celebrou como quem se livra de um peso.

Havia, além do placar, duas imagens para guardar. Uma: Guillermo Ochoa no banco, o único jogador de qualquer um dos dois elencos que também esteve em 2010 —quando, paradoxalmente, começou como reserva naquela estreia—. Outra: Gilberto Mora, dezessete anos, o mais jovem do torneio, um garoto que, criança, se fotografou com a camisa tricolor e escreveu “sonhei em jogar um Mundial”. O Azteca, que tantos finais viu, também sabe inaugurar começos. O resumo da ESPN o resumiu sem rodeios: início vitorioso para os anfitriões.
O clima: oitenta mil verdes e uma cidade desbordada
Dentro, o estádio renomeado “Mexico City Stadium” para a FIFA —mas Azteca para todos— batia com seus oitenta mil. Camisetas verdes, sombreros de mariachi, uma maré que cantou cada avanço. Fora, a festa começava quilômetros antes: ruas fechadas, fãs caminhando uma hora ou mais, bandas e fogos de artifício marcando o caminho. Houve quem pagou 5.700 dólares por um ingresso e o deu por bem gasto, contou SBS.
Não tudo foi harmonia. No centro, no Zócalo, milhares se empurraram para entrar na zona de fãs oficial pouco antes do início; as grades metálicas levantadas dias atrás —para manter longe professores que protestavam— estreitaram o acesso e a cena se tornou tensa. “Parem de empurrar, há crianças”, ouviu-se. A paixão de uma cidade, também, tem seu lado desconfortável. A sede de preços e informações sobre ingressos já antecipava: o Azteca era, essa noite, o lugar onde todos queriam estar.
A História: Um Estádio que Já Não Conta Mundiais, Mas os Coleta
Poucos cenários carregam o que esta quadra carrega. Em 1970, diante de 107.412 pessoas, o Brasil de Pelé derrotou a Itália por 4-1 com aquele chute final de Carlos Alberto. Em 1986, Maradona assinou aqui a “Mão de Deus” e o “Gol do Século” na mesma tarde. E agora, em 2026, o Azteca tornou-se o primeiro estádio do mundo a abrigar o jogo de abertura de três Copas diferentes, conforme a própria FIFA. Um país, uma quadra, três Mundiais: ninguém mais no futebol pode colocar isso na mesa.
México soma três pontos e lidera o Grupo A. Na quarta-feira, 18, viaja a Guadalajara para enfrentar a Coreia do Sul no Estádio Akron; África do Sul, no mesmo dia, enfrentará a Chequia em Atlanta. Mas essa noite era de outra coisa. Era de uma dívida saldada e de um estádio que, na terceira vez, continua sabendo como levantar o véu.
Perguntas frequentes
Como terminou o jogo inaugural do Mundial 2026?
México venceu a África do Sul por 2 a 0 no Estádio Azteca, em Cidade do México, no dia 11 de junho, no primeiro jogo do Grupo A.
Quem marcou os gols?
Julían Quiñones abriu o placar aos nove minutos —o primeiro gol do torneio— e Raúl Jiménez ampliou no segundo tempo com um cabeceio, seu primeiro gol em um Mundial.
Por que houve três expulsões?
O árbitro mostrou três cartas vermelhas —duas à África do Sul e uma ao México—, a maior quantidade em um jogo inaugural da Copa do Mundo. A África do Sul terminou com nove jogadores.
Quem atuou na cerimônia inaugural?
Shakira e Burna Boy interpretaram Dai Dai, a música oficial. Participaram também Andrea Bocelli, J Balvin, Tyla, Danny Ocean, Lila Downs, Maná, Belinda com Los Ángeles Azules e Alejandro Fernández, entre outros.
Por que o Estádio Azteca é histórico?
É o primeiro estádio do mundo a sediar o jogo inaugural de três Copas do Mundo: 1970, 1986 e 2026. Também foi sede das finais de 1970 e 1986.
Era a primeira vez que México vencia um jogo inaugural?
Sim. Era seu oitavo jogo inaugural e primeira vitória; antes, acumulava cinco derrotas e dois empates, incluindo o 1 a 1 contra a África do Sul no debut de 2010.
Qual jogador conecta este jogo com o de 2010?
O goleiro Guillermo Ochoa é o único jogador de qualquer um dos dois elencos que também esteve no Mundial 2010, quando entrou como reserva naquele debut.
Quando México volta a jogar?
México enfrentará a Coreia do Sul quinta-feira, 18 de junho, no Estádio Akron, em Guadalajara. A África do Sul jogará no mesmo dia contra a República Tcheca em Atlanta.
Quantos jogos terá este Mundial?
O Mundial 2026, o primeiro com 48 equipes, terá 104 jogos ao longo de um mês e meio nos Estados Unidos, México e Canadá.
Sobre o autor: Diego Martínez é corresponsal de futebol na La Redonda, o meio de comunicação bonaerense fundado em 2009 especializado em futebol sul-americano e torneios da FIFA. Cobriu seleções da CONMEBOL desde o Brasil 2014. Contato: diego.martinez@laredonda.com.ar · LinkedIn: /in/diegomartinez-laredonda · X: @DiegoLaRedonda



