Em resumo
As eliminatórias da Copa do Mundo 2026 se encerraram em 31 de março de 2026 com a vitória do Iraque por 2-1 sobre a Bolívia no Estádio Akron de Guadalajara — última partida classificatória de um ciclo de dois anos e meio. Seis seleções sul-americanas vão à Copa: Argentina (campeã defensora), Brasil, Uruguai, Colômbia, Paraguai e Equador. A Bolívia perdeu sua última oportunidade no repechão intercontinental, sua quinta ausência consecutiva desde Estados Unidos 1994. A Argentina chega como bicampeã defensora (Copa 2022 + duas Copa América consecutivas) e estreia em 14 de junho contra a Argélia no AT&T Stadium em Arlington. Com Messi aos 39 anos, a Argentina pode fazer o que nenhum time fez desde o Brasil 1958-62: ganhar duas Copas consecutivas?
O que ficou definido em 31 de março
O último gol das eliminatórias 2026 saiu dos pés do iraquiano Aymen Hussein — uma cabeçada aos 73 minutos contra a Bolívia em Guadalajara, fechando o placar em 2-1. Com esse resultado, o quadro de 48 seleções da Copa do Mundo 2026 ficou fechado. A Bolívia, sétima nas eliminatórias da CONMEBOL, fica de fora após 32 anos longe da Copa.

As 6 seleções sul-americanas classificadas
| Seleção | Grupo | Estreia | Estádio | Técnico | Jogador-chave |
|---|---|---|---|---|---|
| Argentina | J | 14 jun vs Argélia | AT&T (Arlington) | Lionel Scaloni | Lionel Messi |
| Brasil | C | 13 jun vs Marrocos | MetLife (NJ) | Carlo Ancelotti | Vinicius Jr |
| Uruguai | H | 15 jun vs Arábia Saudita | Hard Rock (Miami) | Marcelo Bielsa | Federico Valverde |
| Colômbia | F | 17 jun vs vencedor repescão | SoFi (LA) | Néstor Lorenzo | James Rodríguez |
| Paraguai | D | 16 jun vs vencedor europeu | Mercedes-Benz (Atlanta) | Gustavo Alfaro | Miguel Almirón |
| Equador | K | 17 jun vs Senegal | BMO Field (Toronto) | Sebastián Beccacece | Moisés Caicedo |
A dor boliviana: 32 anos fora, queda em 89 minutos
Bolívia 1-2 Iraque, 31 de março, Estádio Akron, Guadalajara. A seleção verde abriu o placar com Miguel Terceros aos 28 minutos. O Iraque empatou com Mohanad Ali aos 67. O gol decisivo veio de cabeça com Aymen Hussein aos 73. A Bolívia não respondeu.
A partida virou a mais assistida da história do futebol boliviano segundo dados do IBOPE local. A avenida 16 de Julio em La Paz instalou telões em plena rua. Quando o árbitro suíço Sandro Schärer apitou o final, o silêncio em La Paz durou quatro horas, segundo o jornal Página Siete.
É a quinta eliminação consecutiva da Bolívia desde 1994, ano em que se classificou pela última vez para uma Copa.
A Argentina pode repetir o que o Brasil fez em 1962?
A pergunta que ecoa por toda a América do Sul: um bicampeonato consecutivo da Copa é possível? A última seleção a fazer isso foi o Brasil de 1958-62. Depois disso, ninguém. Itália, Argentina e Brasil conquistaram Copas e logo caíram nas quartas ou antes na edição seguinte.
A Argentina chega com três vantagens concretas:
- Continuidade técnica: Lionel Scaloni dirige a equipe desde 2018. A mesma comissão técnica que ganhou 2021 (Copa América), 2022 (Copa do Mundo) e 2024 (Copa América). Nenhum outro candidato tem esse nível de continuidade.
- Renovação geracional já completa: Franco Mastantuono (18 anos, Real Madrid), Alejandro Garnacho (Manchester United) e Valentín Carboni (Inter de Milão) estão integrados ao grupo desde 2024. Não é uma transição — está feita.
- Messi em sua última oportunidade: Confirmou em abril que a Copa do Mundo 2026 será sua última. Completa 39 anos no dia 24 de junho, em plena fase de grupos. Motivação não precisa de explicação.
Mas há três riscos sérios:
- Calor do Texas em junho: a estreia contra a Argélia é às 15h local, com sensação térmica de 38°C no AT&T Stadium (teto aberto se o Texas decidir).
- Brasil com Ancelotti: o primeiro técnico europeu na história da Seleção. Já campeão do Mundial de Clubes com o Real Madrid; conhece o formato de torneio.
- Possível cruzamento com a Espanha em semifinal: a campeã da Eurocopa 2024 é a rival que mais preocupa a comissão técnica argentina.

Os números do encerramento
| Dado | Número |
|---|---|
| Seleções classificadas | 48 |
| Sul-americanas confirmadas | 6 |
| Última a se classificar | Iraque (2-1 vs Bolívia) |
| Estreantes históricas | 4 (Cabo Verde, Curaçao, Jordânia, Uzbequistão) |
| Dias entre último classificado e estreia | 72 |
| Total de jogos do torneio | 104 |
| Duração do torneio (dias) | 39 |
O que vem em maio
O calendário das próximas quatro semanas pré-Copa é apertado para os seis sul-americanos:
- 15 de maio: Argentina anuncia os 26 convocados oficiais (entrevista de Scaloni em Ezeiza)
- 27 de maio: encerramento das grandes ligas europeias — os 6 países podem contar com seus jogadores
- 31 de maio: amistosos de despedida (Brasil-Senegal em São Paulo, Argentina-Honduras em Buenos Aires)
- 8 de junho: ingresso oficial das delegações em seus campos de treino nos EUA
- 11 de junho: começa a Copa — México vs África do Sul no Estádio Azteca
A única pergunta que importa
A América do Sul pode levar o troféu de novo? Cinco das últimas sete Copas foram ganhas exclusivamente por seleções sul-americanas ou europeias. O equilíbrio histórico está a favor: o continente tem a campeã defensora, o pentacampeão mundial e a seleção dirigida por Marcelo Bielsa.
Mas o formato de 48 muda as regras. Mais jogos, mais rotação, mais exigência física em pleno verão norte-americano. A Argentina precisa sobreviver a 8 partidas em 39 dias para repetir 2022.
A 35 dias da estreia, a resposta curta é: sim, pode, mas a margem é estreita.



