A versão curta
Em 13 de junho, o Brasil estreia contra Marrocos — e provavelmente sem Neymar, que trata uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita. Antes dele, Rodrygo, Estêvão e Éder Militão já tinham caído por contusão. Ancelotti não mexe nos 26 e aposta na profundidade de um dos elencos mais valiosos do Mundial.

A Seleção que o italiano montou não está inteira
A primeira Copa de Carlo Ancelotti no comando do Brasil começa com uma conta de subtração. Não é o roteiro que a CBF imaginou quando entregou a Seleção a um treinador com cinco Champions no currículo. Mas é o que está posto.
O Brasil estreia contra Marrocos no sábado, 13 de junho, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. E provavelmente fará isso sem o nome que mais barulho gerou na convocação. Segundo a ESPN, Neymar trata uma lesão de grau 2 na panturrilha direita desde meados de maio e tem como alvo realista de retorno apenas o segundo jogo do grupo.
Não é pânico. É realismo. A Seleção chega forte — e ferida ao mesmo tempo.
O caso Neymar: convocado, machucado, fora da estreia
Neymar voltou à Seleção pela porta da emoção e pode estrear pela porta da enfermaria. Foi sua primeira convocação desde outubro de 2023, quando rompeu o ligamento cruzado anterior e desapareceu do mapa da Amarelinha por quase dois anos. Ancelotti o chamou mesmo assim. O estádio aplaudiu mais alto o nome dele do que qualquer outro.
O problema veio depois. O camisa 10 do Santos sentiu o problema muscular ainda antes da viagem e ficou fora dos dois amistosos de preparação, contra Panamá (31 de maio) e Egito (6 de junho). Exames feitos na chegada à seleção apontaram um estiramento de grau 2 — prazo estimado de duas a três semanas.
A matemática é cruel para a estreia. Contra Marrocos, dia 13, a expectativa é que ele não jogue. O alvo passa a ser o duelo com o Haiti, em 19 de junho, na Filadélfia. Aos 34 anos, esta deve ser a quarta e última Copa do maior artilheiro da história da Seleção, com 79 gols. O tempo, dessa vez, joga contra.
Ancelotti não recuou. O treinador deixou claro que não vai cortar Neymar e que os 26 escolhidos são os 26 que disputarão o Mundial. Se não estiver pronto para o primeiro jogo, estará para o segundo — essa é a aposta pública do italiano.

Os desfalques que vieram antes dele
Antes da panturrilha de Neymar virar manchete, três peças já tinham caído. E aqui mora o verdadeiro tamanho do problema: não é uma lesão, é uma sequência.
Rodrygo, do Real Madrid, ficou de fora por questões físicas e não entrou na lista final. Estêvão, a joia de 18 anos do Chelsea, perdeu lugar com um problema na coxa — e foi justamente a vaga dele, segundo o rastreador de lesões da ESPN, que Neymar acabou ocupando. Éder Militão, zagueiro do Real Madrid, também caiu por contusão, conforme noticiou a Al Jazeera na ocasião da convocação.
Três jogadores que, com saúde, brigariam por minutos importantes. Um lateral de criação, uma promessa de ataque, um titular de defesa. Some tudo, e o elenco que parecia transbordar opções já chega com menos folga do que deveria.
Por que o Brasil ainda assusta
Aqui a conta vira a favor. Porque, mesmo subtraído, o elenco brasileiro segue entre os mais caros do Mundial: avaliado em torno de € 928 milhões pelo Transfermarkt, é o sexto mais valioso do torneio no ranking compilado pela Yahoo Sports. Não é o número um — França e Espanha estão à frente. A diferença mora na frente de ataque.
Vinícius Júnior. Raphinha. Matheus Cunha. O setor ofensivo é encabeçado por Vinícius (US$ 174 mi) e Raphinha (US$ 93 mi), e a lista não para: Gabriel Martinelli, Endrick, Igor Thiago, Luiz Henrique e o jovem Rayan completam um grupo de nove atacantes. Raphinha, ao contrário do que se especulou, chega inteiro e é presença praticamente garantida pela direita.
A espinha dorsal também impõe respeito. Alisson no gol. Marquinhos e Gabriel Magalhães na zaga. Casemiro como pivô, com Bruno Guimarães e Lucas Paquetá à frente. Ancelotti tem alternado entre o 4-2-4 e o 4-3-3, e o último amistoso sugeriu que a segunda opção pode prevalecer.
Veloz. Técnico. Profundo. O Brasil perde nomes e ainda sobra repertório — esse é o paradoxo desta Seleção.

O caminho no Grupo C não perdoa o tropeço
O calendário não oferece aquecimento. O adversário de estreia é Marrocos, semifinalista em 2022 e talvez o time mais incômodo que o Brasil poderia pegar logo de cara, conforme detalha o chaveamento oficial da ESPN.
Depois vêm Haiti, em 19 de junho, na Filadélfia, e Escócia, em 24 de junho, em Miami (tabela completa do Grupo C aqui). No papel, dois jogos mais acessíveis. Mas é exatamente o tipo de grupo em que um empate na rodada inicial transforma a segunda partida em obrigação.
Se Neymar voltar contra o Haiti, como se projeta, a Seleção ganha o camisa 10 no momento em que mais precisa administrar energia. Se não voltar, a profundidade que Ancelotti tanto exaltou será testada de verdade — e mais cedo do que ele gostaria. A Copa, afinal, começa para o Brasil no dia 11 de junho, mesmo que o time só entre em campo dois dias depois.
Perguntas frequentes
Neymar vai jogar a estreia do Brasil contra Marrocos? A expectativa é que não. Ele se recupera de uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita e a comissão técnica trabalha com a possibilidade de retorno apenas a partir do segundo jogo do grupo.
Qual é a lesão de Neymar? Um estiramento de grau 2 na panturrilha direita, com prazo estimado de recuperação de duas a três semanas a partir de meados de maio.
Quando Neymar pode voltar a jogar na Copa? O alvo realista é a segunda partida do Grupo C, contra o Haiti, em 19 de junho, na Filadélfia. Caso não esteja pronto, a próxima janela seria contra a Escócia, em 24 de junho.
Ancelotti vai substituir Neymar no elenco? Não. O treinador afirmou que mantém os 26 convocados e que não fará alterações na lista por causa da lesão.
Quais outros jogadores o Brasil perdeu por lesão? Rodrygo, Estêvão e Éder Militão ficaram de fora da lista final por problemas físicos, reduzindo as opções de ataque e de defesa antes mesmo do início do torneio.
Quando e onde o Brasil estreia na Copa de 2026? No sábado, 13 de junho, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.
Quem são os adversários do Brasil no Grupo C? Marrocos, Haiti e Escócia. O Brasil enfrenta Marrocos em 13 de junho, o Haiti em 19 de junho e a Escócia em 24 de junho.
O ataque do Brasil continua forte mesmo com os desfalques? Sim. Mesmo sem Neymar na estreia, o Brasil mantém Vinícius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha, Gabriel Martinelli, Endrick e outros — o grupo de atacantes mais valioso do torneio.
Quem é o técnico do Brasil na Copa de 2026? Carlo Ancelotti, em sua primeira Copa do Mundo no comando da Seleção, em busca do sexto título mundial do Brasil.
Por que a estreia contra Marrocos é considerada difícil? Marrocos chegou às semifinais da Copa de 2022 e é visto como um dos adversários mais perigosos de Pote 2, o que torna o tropeço logo na primeira rodada especialmente custoso.
Sobre o autor: Rafael Souza é correspondente de futebol da Canarinho Report, o veículo carioca fundado em 2009 especializado em Seleção Brasileira, CBF, Libertadores. Contato: rafael.souza@canarinhoreport.com.br · LinkedIn: /in/rafaelsouza-canarinho · X: @RafaelCanarinho



