Faltam 52 dias: A revolução musical da Copa do Mundo FIFA 2026 — 'Lighter' decepciona, 'Por Ella' salva o dia
FIFA abandona a fórmula do hino único por um álbum multiartista e multilíngue. O single 'Lighter' não convence; 'Por Ella' faz o resgate latino.
A menos de dois meses do início da Copa do Mundo FIFA 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá, o “som oficial” do torneio tomou um rumo sem precedentes — em vez de apostar em um único hino grudento, a FIFA está lançando um álbum completo multiartista, multilíngue e multigênero. No último mês, os dois primeiros singles do álbum geraram reações radicalmente diferentes.
Adeus à “era Waka Waka”: não mais Copas de uma só música
Por décadas, “música tema da Copa” foi praticamente um nome próprio na mente dos torcedores — Waka Waka de Shakira, La Copa de la Vida de Ricky Martin — músicas que sozinhas definiam a memória coletiva de um torneio inteiro.
Mas na Copa do Mundo do Qatar 2022, a FIFA experimentou pela primeira vez um “álbum de trilha sonora oficial” em substituição ao hino único. Em 2026, essa estratégia foi amplificada. Como álbum musical oficial da Copa do Mundo FIFA 2026, a FIFA escolheu lançar uma compilação multiartista, continuando a abordagem multigênero de 2022 em vez do modelo de 2018 com uma música oficial mais uma playlist.
A lógica do presidente da FIFA, Gianni Infantino, é clara: um torneio de 48 seleções, 104 jogos e três países-sede precisa de um conjunto de sons que reflita “diferentes culturas, diferentes ritmos, diferentes idiomas” — não apenas uma música. Mas a questão permanece: os torcedores estão prontos para aceitar uma Copa sem “aquela música”?
Single ‘Lighter’: três nações unidas, mas criticada como “música de comercial de carro”
Em 20 de março, o capítulo inaugural do álbum foi lançado. Lighter, o primeiro single do álbum oficial da Copa 2026, apresenta o artista americano Jelly Roll e o cantor mexicano Carín León, produzido pelo hitmaker canadense Cirkut, lançado globalmente em 20 de março de 2026.
A escalação é uma combinação perfeita dos países-sede: uma estrela emergente do country-hip-hop americano (Jelly Roll), um rei da música regional mexicana (Carín León) e um produtor canadense que acabou de ganhar o Grammy 2026 de “Produtor do Ano, Não Clássico” (Cirkut). Lançada pela Def Jam Records, a música funde as raízes country de Jelly Roll com o estilo regional mexicano de Carín León, conectando gêneros musicais para refletir a energia cultural compartilhada da América do Norte.
No entanto, a resposta do mercado pegou a FIFA de surpresa. A faixa de pop-rock com influências country recebeu críticas tanto de fãs quanto de críticos musicais, com alguns comparando-a ao tipo de música de fundo de comercial de carro. Nas redes sociais, “esquecível”, “segura demais” e “o que isso tem a ver com a Copa?” tornaram-se as reclamações mais comuns. Comparada com a dominação instantânea de Waka Waka nas paradas globais, essa abertura “trinacional” pareceu contida.
Jelly Roll respondeu diplomaticamente, enfatizando que “a música pode alcançar lugares que você nunca esperaria”. León expressou orgulho em colaborar com Jelly Roll para o maior evento esportivo do mundo. O produtor Cirkut reconheceu que queriam criar “uma música que carregue a voz e a alma das nações-sede.”
Mas o feedback do mercado foi claro: a FIFA precisava de um contra-ataque.
Segundo single ‘Por Ella’: Belinda + Los Ángeles Azules executam um resgate latino
Em 17 de abril, o resgate chegou — o segundo single do álbum, Por Ella, foi oficialmente lançado.
Desta vez, a FIFA jogou uma carta puramente latina: a faixa apresenta a lendária banda mexicana de cumbia Los Ángeles Azules e a estrela do pop latino Belinda, com produção executiva do multipremiado produtor porto-riquenho Tainy, lançada pela Def Jam Recordings. Cantada inteiramente em espanhol, a música funde ritmos tradicionais de cumbia com arranjos pop modernos, tornando-se a declaração cultural mexicana mais distinta do álbum.
O videoclipe foi filmado no icônico Monumento à Revolução na Cidade do México e outros marcos, repleto de imagens da Virgem de Guadalupe, trajes tradicionais e peseros (micro-ônibus) — símbolos culturais mexicanos inconfundíveis — enquanto a letra captura a paixão e o fervor das arquibancadas do estádio.
Notavelmente, Belinda e Los Ángeles Azules já haviam colaborado no hit Amor a primera vista. Sua reunião foi descrita pela mídia mexicana como “um presente de nível nacional para a Copa do seu país”. A própria Belinda declarou no evento de lançamento que essa colaboração foi uma das mais importantes de sua carreira, esperando que a música se tornasse “um hino convidando todos a dançar e celebrar.”
Poucos dias após o lançamento, a recepção de Por Ella superou amplamente a de Lighter. Muitos veículos mexicanos e torcedores previram que a música poderia aparecer no jogo de abertura de 11 de junho no Estádio Azteca na Cidade do México, tornando-se de fato a “voz do torneio.”
Um álbum como “série”: Shakira e Bad Bunny vão participar?
Segundo o cronograma oficial da FIFA, o álbum da Copa 2026 continuará lançando novos singles nas próximas semanas, cada um representando uma região e gênero diferente. A posição oficial: “cada torcedor deve encontrar uma música que lhe pertença neste álbum.”
Os dois nomes que geram mais expectativa são as superestrelas latino-americanas Shakira e Bad Bunny. A primeira é a voz por trás de Waka Waka, amplamente considerada a “lenda viva” da música de Copa; o segundo tem sido o artista mais reproduzido do mundo nos últimos anos. Embora a FIFA não tenha confirmado oficialmente a participação de nenhum dos dois, rumores de “trechos vazados” e “audições antecipadas” têm repetidamente incendiado as redes sociais.
Além da FIFA — Emissoras e seleções lançam suas próprias trilhas
Além do álbum oficial, o “ecossistema musical” da Copa 2026 se expande em múltiplas frentes:
Nível de emissoras: A rede americana em espanhol Telemundo lançou seu próprio tema da Copa Somos Más em 3 de março, com o colombiano Carlos Vives, a argentina Emilia, o pioneiro do reggaeton Wisin e o cantor pop espanhol Xavi, promovendo a mensagem “somos mais — unidos.”
Nível de patrocinadores: O tema oficial da Coca-Cola para a Copa 2026, JUMP, chegou às principais plataformas em meados de março, seguindo a fórmula clássica de “hino publicitário.”
Nível de seleções: A Federação Japonesa de Futebol anunciou que a música de apoio da seleção, Keshiki (Paisagem), será lançada em 3 de junho, com o slogan “veja aquela vista do topo”, motivando o Japão para o torneio. Várias seleções asiáticas devem anunciar seus próprios hinos em breve.
A velha questão retorna: ainda precisamos de “a” música da Copa?
De Nessun Dorma a Waka Waka, músicas de Copa foram a trilha sonora de gerações de infâncias. Agora a FIFA substitui uma música por um álbum, buscando refletir a diversidade e escala sem precedentes do torneio — mas também desfocando o ponto de ancoragem de uma memória de “canto coletivo global.”
A recepção fria de Lighter e a recuperação de Por Ella encapsulam essa transição: a FIFA quer um “mosaico de culturas,” enquanto os torcedores ainda anseiam pelo clímax emocional de “só uma música.”
Em 52 dias, quando o apito inaugural soar no Estádio Azteca da Cidade do México em 11 de junho, qual música ecoará no estádio? O country rock de Lighter, a cumbia mexicana de Por Ella, ou um “trunfo definitivo” ainda não revelado?
Esse talvez seja um dos mistérios mais empolgantes antes desta Copa começar.
Fique atento: A lista completa do álbum será revelada progressivamente nas próximas semanas. Os fãs podem seguir as contas oficiais de “FIFA World Cup 2026” no Spotify, Apple Music e outras plataformas principais para atualizações em tempo real.
